Pura pena

Eu odiava quando você me olhava daquele jeito sedento, esperando que eu tivesse alguma iniciativa de convidá-lo à minha cama. Algumas vezes até fiz isso, mas foi por pura pena. Não aguentava aquela cara de desamparo que você fazia toda vez que percebia que mais uma vez seria rejeitado. Juro que eu tentava ter algum tipo de tesão, mesmo que fraterno, por você. Mas não dava. A coisa simplesmente não vinha. Foi tanto tempo assim, não? Eu achava que, ganhando tempo, podia ser que alguma coisa despertasse dentro de mim e passasse a desejar você. Mas não adiantou. Odiava aquele sua cara de cachorro perdido toda noite. Depois de tantos anos, quando penso nisso, ainda sinto aquela mesma raiva. Não consegui me apaixonar e nem ter tesão por você. Por que será? Estou falando isso porque hoje vi você atravessando a rua lentamente, como se os anos estivesse pesando muito mais do que de fato pesavam. Não quis que me visse. Não valeria a pena. Mas você me viu, eu sei, mas fez de conta que não. Foi melhor assim. Nos poupou de, mais uma vez, repetirmos aquelas cenas onde eu só sentia pena.

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